12 de dezembro de 2008

Governo anuncia mudanças no IR para beneficiar classe média

O governo federal anunciou nesta quinta-feira (11) alterações no formato de cobrança do Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), que passarão a vigorar no ano de 2009. Neste ano, mais de 24 milhões de pessoas declararam IR - universo aproximado de pessoas beneficiadas pela medida.

As mudanças prevêem a criação de mais duas alíquotas intermediárias no IR, o que resultará em um recolhimento menor de impostos pela classe média - a principal beneficiada com a medida. Somente esta medida vai deixar mais R$ 4,9 bilhões nas mãos dos contribuintes - recursos que seriam pagos em IR no próximo ano.

Juntamente com a redução do IOF para empréstimos de pessoas físicas, e da alíquota do IPI para compra de automóveis - que está sendo zerada para veículos 1.0 - a correção da tabela do Imposto de Renda pretende injetar mais recursos na economia no próximo ano - momento no qual serão sentidos com mais intensidade os efeitos da crise financeira internacional.

As medidas, todas juntas, deverão manter R$ 8,4 bilhões circulando na economia - recursos que iriam para os cofres públicos via recolhimento de tributos. A intenção do governo é de assegurar um crescimento de 4% para o Produto Interno Bruto (PIB) em 2009, mas o mercado financeiro estima um crescimento menor para o próximo ano: de 2,5%.

"As medidas têm como objetivo estimular o crescimento da economia, aumentar o volume de crédito e reduzir o custo financeiro. Portanto, a taxa de juros que está sendo praticada na economia", afirmou o ministro da Fazenda, Guido Mantega, acrescentando que, "certamente", novas medidas serão tomadas.

Sistema anterior e novo formato
Pelo sistema anterior, as pessoas físicas que recebessem até R$ 1.434 em 2009 estariam isentas do IR. Entre este valor e R$ 2.866, a alíquota seria de 15% e, acima disso, de 27,5%. O formato anterior já previa a correção da tabela do IR em 4,5% no próximo ano.

Com as mudanças anunciadas nesta quinta-feira pela equipe econômica, haverá mais duas alíquotas intermediárias, mas a correção da tabela permanecerá em 4,5% - algo que não foi alterado. Pelo novo formato, a isenção de IR continuará para quem recebe até R$ 1.434 por mês em 2009.

Entre este valor e R$ 2.150, porém, está sendo criada uma alíquota menor: de 7,5%. De R$ 2.150 até R$ 2.866, a alíquota será de 15%. Para valores entre R$ 2.866 e R$ 3.582, está sendo criada mais uma alíquota: de 22,5%. Acima de R$ 3.582, a alíquota será de 27,5%.

"O contribuinte que ganha de R$ 1.434 será beneficiado com a redução do IR. Com isso, alivia a carga fiscal e estimula a demanda, em um momento no qual poderá cair", informou o ministro da Fazenda, Guido Mantega.
Verifique abaixo como ficará a tabela do Imposto de Renda 2009 após as medidas anunciadas nesta quinta (12) pelos ministérios da Fazenda, do Desenvolvimento e pelo Banco Central. Para o IR 2009, foram criadas duas novas alíquotas (de 7,5% e de 22,5%).

A nova tabela do imposto de renda 2009

Faixa de rendimento / Alíquota
Até R$ 1.434 / 0% (isento)
De R$ 1.434 a R$ 2.150 / 7,5%
De R$ 2.150 a R$ 2.866 / 15%
De R$ 2.886 a R$ 3.582 / 22,5%
Acima de R$ 3.582 / 27,5%

Ampliação da licença-maternidade é publicada no ‘Diário Oficial’

Medida vale para servidoras federais e prorroga licença por mais 60 dias.Mães adotivas também têm direito ao benefício, fonte: www.g1.com.br
Foi publicado nesta sexta-feira (12), no “Diário Oficial da União”, decreto que regulamenta a extensão da licença-maternidade para seis meses para as servidoras públicas da administração pública federal direta, autárquica ou fundacional. Além das gestantes, o decreto 6.690, de 11 de dezembro de 2008, alcança as mães adotivas, com a prorrogação de 60 dias para a adoção de crianças com até um ano de idade, 30 dias para crianças com mais de um e menos de quatro anos e de 15 dias para crianças de quatro a oito anos de idade. No período de licença, a servidora – seja a gestante ou a adotiva – não poderá exercer qualquer atividade remunerada ou manter a criança em creche. Caso contrário, pode perder o direito à prorrogação. De acordo com o decreto, fica estabelecido que as servidoras que entraram em licença-maternidade no período, poderão requerer a prorrogação nos seus órgãos. Caso a licença tenha sido concluída de 10 de setembro a 12 de dezembro, a servidora poderá ainda requerer junto a seu órgão a extensão da licença. Segundo a Secretaria de Recursos Humanos do Ministério do Planejamento o Executivo Federal conta hoje com 101.206 servidoras com idade entre 18 e 50 anos.

Ronaldo chega: 'Vou honrar essa camisa'

Atacante se apresenta cedo, veste a 9 do Timão e promete usá-la com responsabilidade. Fenômeno quer ser 'só mais um' e pede tranqüilidade, fonte: www.globoesporte.com
O atacante Ronaldo foi apresentado na manhã desta sexta-feira como jogador do Corinthians. O Fenômeno chegou ao local marcado, um salão do Parque São Jorge, com dez minutos de antecedência e pediu para ser apenas mais um jogador no elenco do Timão. Antes mesmo de o atleta vestir a camisa alvinegra, a diretoria do clube pediu para que todos dêem paz para que ele possa se recuperar e desenvolver o seu melhor futebol.
Acompanhe os principais trechos da entrevista de Ronaldo:

CASA NOVA
“É um desafio enorme. Tenho falado que será uma volta difícil e o Corinthians está me abraçando nessa recuperação. Estou muito feliz de estar em São Paulo e ter fechado com o Corinthians. Aqui já está mais um louco para o banco de loucos. Estou muito feliz de estar aqui”.

VOLTA AO BRASIL
“Joguei só um ano no Cruzeiro e fui para a Europa. Eu já vinha pensando em voltar ao Brasil. Tenho saudade do meu país e da minha família, que está aqui. O Corinthians é uma grande oportunidade para mim. É um time de grande torcida. E essa parceria vai dar grande resultado”.

ALEGRIA DO FILHO RONALD
“Meu filho (Ronald) está contente pelo pai estar jogando no Corinthians. O que me seduziu foi o projeto do Corinthians para 2009, me dando tranqüilidade necessária para recuperar a forma e voltara a jogar. Foi o que pesou na minha decisão”.

VOLTA POR CIMA
“Eu tenho de mostrar dentro de campo. Eu não morri para o futebol. E vou provar que mais uma vez vou superar outro obstáculo na minha carreira”.

AGORA PAULISTANO
“Eu nunca tinha jogado em São Paulo e o Corinthians me seduziu com o grande desafio. Quero mostrar para essa imensa torcida que eu posso. Vou fazer esse bando de loucos contente”.

PREVISÃO PARA JOGAR
“Espero que em breve, mas não tenho uma previsão. Tenho treinado bastante, mas a recuperação da lesão (no joelho esquerdo) é longa, que acarreta em outros problemas musculares. Mas estamos fazendo o planejamento da recuperação. Quando eu estiver bem e o treinador achar que eu estou pronto, vou estar à disposição”.

SÓ MAIS UM
“Eu sou apenas mais um jogador com direitos e deveres. Não terei regalias e benefícios diferentes dos demais”.
PARCERIA DE SUCESSO
“A parceria com o Corinthians dá essa repercussão. A união de duas marcas dá mais impacto que uma sozinha. Estou me juntando a um grande clube e a uma grande torcida. Vou tentar ser o que eu sempre fui em cada treino e em cada jogo. Vou dar meu máximo, sem limites”.

MAIS UMA VOLTA
“Quando eu operei deu uma mistura de preguiça pela volta aos treinos e fisioterapia, mas também de medo por não saber a reação do organismo. Mas as cirurgias forem bem sucedidas e deu tudo certo.”

RUNCO E GRAVA “A opinião do Runco (José Luiz) é muito importante para mim. A dele e a do Grava (Joaquim), que são os melhores do país nessa área. O que eles falam me dá muito respaldo”. CAMISA DO CORINTHIANS
“É uma camisa muito importante e que eu vou carregar uma responsabilidade imensa. Serei o mais cobrado nos treinos e nos jogos e eu não vou fugir dessa responsabilidade. Vou honrar essa camisa do começo ao fim”.
FASE DE RECUPERAÇÃO
“Eu estou seguindo a programação de treinamento, com sol ou com chuva. Na primeira lesão eu fiquei um bom tempo no CFZ, do Zico, fiz um período lá. Agora fiz treinamento no Flamengo, que me ajudou muito. Estou chegando a uma fase importante de recuperação física e fortalecimento muscular”.

ESTRÉIA “Eu não posso assegurar nada sobre a estréia. Tenho de acompanhar os treinos e a evolução. Só depois dá para programar algo para a estréia”.

PRONTO ATÉ PARA VAIAS
“No dia que eu jogar mal a torcida pode me vaiar. Já fui vaiado em situações marcantes, como no ano que ganhei Bola de Ouro, prêmio de melhor jogador da Fifa... Se eu jogar mal, perder pênalti, falhar em campo, é normal eu ser cobrado, vaiado... Mas espero o apoio da torcida”.

VIDA REGRADA EM SÃO PAULO
“Independentemente do lugar em que eu esteja o importante é a minha cabeça. Estou focado em ter uma vida de atleta”.
SELEÇÃO NOS PLANOS?
“O objetivo é o Corinthians. Seleção é conseqüência do que se faz no clube”.

VAI JOGAR NOS CAMPOS DO INTERIOR?
“Sou humilde para jogar em qualquer campo. Jogava na rua, descalço e já perdi quase todas as unhas do pé”.

7 de dezembro de 2008

Nossa solidariedade ao C.R. Vasco da Gama.

Nesse ano de 2008 o Clube de Regatas Vasco da Gama escreveu uma triste página em sua história, ao terminar o campeonato Brasileiro de Futebol na 18ª posição, pois com essa colocação, o clube foi rebaixado para a segunda divisão do referido campeonato, algo inédito em sua história.
Vamos agora "torcer" para que o clube consiga repetir o feito de Goías em 1999, Palmeiras e Botafogo em 2003, Grêmio em 2005, Atlético-MG e Sport em 2006, Coritiba e Vitória em 2007 e Corinthians nesse ano, e consiga tetornar para a primeira divisão, o quanto antes.

Parabéns ao São Paulo Futebol Clube, que hoje conseguiu o sexto titulo do campeonato brasileiro de futebol, e com um inédito tricampeonato!

# 1977 – 1986 – 1991 – 2006 – 2007 – 2008 #

Vejam os resultados de 2001 à 2008:
2001: 1º) Atlético-PR; 2º) São Caetano; 3º) Fluminense; 4º) Atlético-MG.
2002: 1º) Santos; 2º) Corinthians; 3º) Fluminense; 4º) Grêmio.
2003: 1º) Cruzeiro (100 pts); 2º) Santos (87 pts); 3º) São Paulo (78 pts); 4º) São Caetano (74 pts).
2004: 1º) Santos (89 pts); 2º) Atlético-PR (86 pts); 3º) São Paulo (82 pts); 4º) Palmeiras (79 pts).
2005: 1º) Corinthians (81 pts); 2º) Internacional (78 pts); 3º) Goiás (74 pts); 4º) Palmeira (70 pts).
2006: 1º) São Paulo (78 pts); 2º) Internacional (69 pts); 3º) Grêmio (67 pts); 4º) Santos (64 pts).

2007: 1º) São Paulo (77 pts); 2º) Santos (62 pts); 3º) Flamengo (61 pts); 4º) Fluminense (61 pts).
2008: 1º) São Paulo (75 pts); 2º) Grêmio (72 pts); 3º) Cruzeiro (67 pts); 4º) Palmeiras (65 pts).



Campeonato da Stock Car V8, coroa perseverança de Ricardo Maurício.

Quem vê aquele rapaz baixinho, barbudo e sorridente não imagina que ele é um dos melhores pilotos brasileiros – e um dos que mais trabalha – da atualidade. O mais novo campeão da Stock Car, Ricardo Mauricio, sabe a magnitude da conquista obtida neste domingo, pois já passou por poucas e boas em sua carreira, que foi iniciada há 19 anos, no kart.
Nascido em 7 de janeiro de 1979, Ricardinho (como é chamado no paddock) teve um início de carreira glorioso, com muitas vitórias no kart e um título incontestável em sua estréia nos monopostos, na extinta F-Ford em 1995. Focado em ir para a F-1, pegou o caminho tradicional e foi rumo à Europa.No Velho Continente, a caminhada de Mauricio começou o terceiro lugar na Copa das Nações da F-Opel e duas temporadas na F-3, que lhe renderam o vice-campeonato na tradicional corrida de Macau. O bom desempenho rendeu a ida à F-3000 Internacional, principal categoria de acesso à F-1. Em alta e com um bom patrocinador, Ricardinho tinha certeza de que seu sonho estava cada vez mais próximo, mas o tempo mostrou exatamente o contrário.Foram quatro temporadas, uma pela Super Nova e três pela Red Bull Jr., com resultados abaixo do esperado. Em quatro temporadas, Mauricio obteve quatro pódios – um segundo (Hungria 2001) e três terceiros (Hungria 2000, Bélgica 2001 e Brasil 2002) –, que acabaram não sendo suficientes para garantir seu futuro. Em 2003, Mauricio teve de regredir uma etapa e disputar a F-3 Espanhola. Pilotando pela Racing Engineering, a temporada de Ricardo foi esplendorosa e rendeu o título de forma incontestável, com seis vitórias em 13 corridas, sete pódios, quatro poles, duas voltas mais rápidas e 192 pontos. Mesmo com o desempenho expressivo, as portas não se abriram novamente para Mauricio, que voltou para o Brasil e passou a disputar a Stock Car.Correndo por equipes pequenas, Ricardo sempre se destacava em velocidade, conquistando uma pole-position e três voltas mais rápidas entre 2004 e 2006, chamando a atenção da A. Mattheis, a maior equipe da categoria. O namoro rendeu em um acordo de uma temporada, onde conquistou sua primeira vitória, na etapa de abertura, em São Paulo, e foi ao pódio em mais duas oportunidades.Neste ano, transferido para a equipe-irmã WA Mattheis, Mauricio deu show.
Venceu cinco corridas, marcou cinco poles e travou uma disputa ferrenha com o ex-companheiro Marcos Gomes. Os dois disputaram ponto a ponto e metro a metro, literalmente – as cenas da disputa entre os dois em Tarumã entrou para os anais da categoria. Ao chegar para a decisão em Interlagos apenas um ponto à frente do rival, a sombra do passado voltou a incomodar o piloto: sem vaga definida para o próximo ano, já que sua equipe fechou acordo com a patrocinadora que o abandonou anos atrás, o título seria a única maneira de Ricardinho para manter a carreira em pé. E, ao alinhar no grid deste domingo em Interlagos, ele tinha a consciência disso. Tanto que foi campeão. O resto é história...
Os últimos campeões:
2008 - Ricado Maurício;
2007/2006 - Cacá Bueno;
2005/2004 - Giuliano Lossacco;
2003 - David Muffato;
2002 - Ingo Hofmann;
2001/2000/1999 - Chico Serra.

Crise chega à Fórmula 1 - Honda anuncia oficialmente sua saída da F-1 em 2009.


A Honda anunciou oficialmente que não irá disputar a temporada 2009 de Fórmula 1. A marca informa que a decisão foi tomada devido aos elevados custos de sua equipe causados pela crise financeira mundial. Segundo o presidente da companhia, Takeo Fukui, “a incerteza a curto prazo que cerca o panorama econômico global segue crescendo e esperamos que leve um certo tempo para nos recuperar”.

O executivo também informa que a escuderia está à venda,
(e já adiantou que pode até vender a equipe por um preço mais baixo do que o valor real que possuí, para tentar fazer com que a categoria não corra no próximo ano com o menor numero de carros da história, ou seja, apenas dezoito).

Segundo a agência japonesa de notícias “Kyodo”, a Honda investia mais de US$ 541,4 milhões (R$ 1,4 bilhão) na escuderia. Com o agravo da crise financeira, alguns acionistas começaram a pressionar a Honda para que se retirasse da categoria. Existem rumores de que até a equipe de motociclismo corre risco de ser fechada ou vendida.

Com a saída da Honda da Fórmula, o
piloto brasileiro Rubens Barrichello, (que com isso tem a sua saída da categoria provavelmente confirmada), juntamente com o inglês Jason Button, (que é um piloto ainda jovem e muito valorizado na categoria, tendo obtido um terceiro lugar no campeonato de 2004, ficando atrás apenas das imbatíveis Ferraris, naquela temporada, e que por isso deve conseguir um cockpit para a próxima temporada), ficam sem escuderia para correr em 2009.

Outros dois brasileiros, Bruno Senna (que ainda tenta uma das vagas da equipe Toro Rosso, equipe que ainda não confirmou nenhum dos dois nomes para a próxima temporada) e Lucas di Grassi, (praticamente sem chances de conseguir uma vaga na Formula 1, no ano vindouro, tem uma proposta para correr na Formula Indy, pela consagrada equipe Pensk), que faziam testes para tentar conseguir uma vaga na equipe (para a próxima temporada), também acabam sendo prejudicados com a decisão.

Obs.: Entre parênteses nossos comentários.



1 de dezembro de 2008

Íntegra da decisão que absolveu acusado de roubar beijo em van

"Esse é o relato do insólito episódio de RODRIGO RAMOS DE LIMA acusado de tentar dar uma bicotinha no rosto da suposta vítima e, desse modo, "atentar contra o pudor" da distinta.Conta a pitoresca acusação que no longínquo 20 de fevereiro de 2006, no interior de um veículo do transporte alternativo a moçoila foi surpreendida pelo inopinado beijoqueiro que, de supetão, não tendo resistido aos encantos da donzela, direcionou-lhe a beiçola, tendo como objetivo certo a face alva da passageira que se encontrava a seu lado.A "vítima", por sinal uma moçona forte, essa teria reagido e rechaçado a inesperada demonstração de intimidade não existente. Posteriormente, quando ser inquirida em Juízo, terminaria por afirmar que deu um tapa no rosto do sujeito e depois o esmurrou por diversas vezes. Além disso, completaria, quando estava na delegacia teria cravado as unhas no pescoço do rapaz e sacudido para impedir-lhe a fuga.Enquanto a suposta vítima, uma mulher forte e robusta, relatava para os presentes à audiência o ocorrido e gesticulava, mostrando como havia esgoelado o beijocador, todos os presentes à sala acompanharam entre estupefatos e incrédulos o minucioso relato ilustrado com um toque de sadismo. Ouvindo tais pormenores todos se puseram a pensar em quem teria sido a verdadeira vítima no episódio.Uma testemunha visual do ocorrido completaria o excêntrico relato das proezas de brio e fecunda valentia da moça que não quis o beijo: "- D... reagiu e ´deu muita porrada no sujeito´".Ao final dos depoimentos este magistrado não resistiu e, informalmente, perguntou para a "vítima" se o sujeito era bonito: " - Dr. se ele fosse um Reinaldo Gianecchini a reação teria sido outra...", ouvi.Durante a tramitação do processo, percebendo o quão esdrúxula era a peça acusatória, um representante ministerial chegou a postular pela aplicação ao caso do princípio da insignificância (fls. 58/60). A magistrada que me precedeu, contudo, discordou e remeteu os autos ao Procurador de Justiça que, por sua vez, designou uma comissão composta de três "expertos". Após rebuscada pesquisa, calcada em substanciosos argumentos sobre o que representava o beijo tentado do engenhoso personagem, a tríade lançou o circunstanciado veredicto: " - não é possível o arquivamento com base no princípio da insignificância", " - a aplicação de medida de segurança poderá trazer auxílio à família..."Assim, em atendimento à manifestação ministerial referida, o feito teve prosseguimento. Até que em alegações finais o promotor de justiça derradeiramente encarregado do caso pugnasse pela absolvição do acusado. Claro que é quase impossível aferir com exatidão as dezenas de profissionais chamados a intervir no presente processo durante a tramitação processual: policiais civis e militares e outros servidores públicos ligados à Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal, ao Ministério Público Distrito Federal e ao Tribunal de Justiça do Distrito Federal, tais como analistas e técnicos judiciários, escrivães, oficiais de justiça, diretores e substitutos de cartórios, oficiais de gabinete, executantes, motoristas, seguranças, secretários, garçons, zeladores e faxineiros, eletricistas, digitadores e técnicos em informática, vigilantes e tantos outros que poderiam ampliar imensamente essa lista.Alguns, talvez os principais desses atores processuais, contudo, ao praticarem atos processuais, deixaram suas assinaturas nos autos do processo, tornando mais fácil a quantificação e enumeração desses sujeitos. Passo a enumerá-los:" 10 (dez) juízes de direito: fls. 2, 13, 40, 49, 62, 78, 122, 127 e 121, exemplificativamente, além de fl. 35 dos autos em apenso;" 8 (oito) promotores de justiça: fls. 2, 24, 28, 41v, 60, 64, 82 e 113v, exemplificativamente,; " 5(cinco) procuradores de justiça: fls. 66, 76 e 80;" 9 (nove) defensores: fls. 20, 39, 48, 96, 99, 130 e 150, exemplificativamente, e ainda fl. 14 dos autos em apenso;" 8 (oito) médicos: fl. 18 e também fls. 24, 27, 28, 30 e 31, dos autos em apenso;" 3(três) delegados de polícia: fls. 6, 45 e 124.Esses sujeitos processuais anteriormente discriminados perfazem o total de 43 profissionais altamente especializados que ao longo da tramitação do processo, ou seja, de 20/02/2006 até a presente data (interregno de quase três anos, ou, mais precisamente, dois anos, oito meses e treze dias) receberam dos cofres públicos (considerando-se os respectivos décimos terceiros salários) proventos que podem ser estimados pela média em R$ 39.674.666,67 (trinta e nove milhões, seiscentos e setenta e quatro mil, seiscentos e sessenta e seis centavos).Evidente que tais agentes públicos atuaram concomitantemente em diversos outros casos. No entanto, tal estimativa serve para evidenciar o tamanho do disparate em direcionar essa estrutura leviatânica para apurar a prática de uma bicota, aliás, uma tentativa de bicota, levada a efeito pelo infeliz acusado.Evidentemente, estamos desconsiderando outros custos, como aqueles relacionados a gastos de papel, cartuchos para impressão, cartolina, cordonê e outros materiais e suprimentos de escritório, energia elétrica, comunicação telefônica e via correios, combustível, maquinário diverso et cetera.Por certo, não foi mensurado o inevitável custo do impacto ambiental gerado desde antes da instauração do inquérito até a instauração e encerramento da relação jurídica processual.Ou seja, estimamos apenas uma parte do custo social envolvido com a tramitação do processo do aspirante a beijoqueiro.Toda essa movimentação magnânima teria sido feita em nome da suposta e pomposa "importunação ofensiva ao pudor"Ao final, seria de se perguntar: vale a pena? É esse o mister do Direito Processual Penal do século XXI? Ou deveria esse ramo do direito se voltar a apurar aquelas condutas que atinjam bens jurídicos que realmente mereçam a tutela penal? Outras perguntas não querem calar: como não ver insignificância, sob a ótica penal, na conduta praticada pelo acusado? O que fazer com o princípio da proporcionalidade, que recomenda correspondência entre as sanções penais e a gravidade das condutas praticadas pelos infratores penais? Como ignorar, por outro lado, que o acusado foi solenemente espancado pela "vítima" após o triste episódio do beijo frustrado e continuou a sê-lo até a chegada à delegacia de polícia?É evidente que o promotor de justiça que oficiou pelo reconhecimento da insignificância agiu imbuído de bom senso e soube distinguir o fútil e o irrelevante daquilo que é sério, grave e de relevo.Sensibilidade e discernimento também demonstrou o outro representante do Ministério Público que, em alegações finais, postulou pela absolvição do acusado.Tais posturas ajudam a depurar e orientar a persecução penal, reservando-a a casos realmente relevantes. Felicitem-se aqueles promotores que voltam o principal de suas atenções e energias para punir autores de crimes de lesa-pátria, que causam prejuízos milionários ao erário, como fraude de licitações públicas, corrupção e sonegação. Encômios àqueles que questionam, por exemplo, a atitude do Chefe do Executivo local e procuram demonstrar a violação da Constituição e das leis penais praticadas por tal agente ao criar casuisticamente Secretaria de Estado, sem amparo na Lei Orgânica do Distrito Federal, para proteger acusados da prática de graves crimes cometidos contra a Administração Pública. Elogios àqueles que estão preocupados com a apuração dos crimes cometidos com violência e grave ameaça às vítimas, furtos e estelionatos vultosos, estupros, homicídios e outros similares.Não que outros casos não possam ser objetos de reflexão. Contudo, a cada situação o tratamento jurídico correspondente deve ser o mais adequado. O Direito Penal e Processual Penal, é óbvio, reserva-se à tutela daqueles bens jurídicos da vida mais relevantes. A hipótese dos autos não está a merecer, ao menos em desfavor do acusado, a atenção da seara penal.Qualquer controvérsia poderia ser solucionada por meio de outros mecanismos e instrumentos de apaziguamento social.Aos que sugeriram a aplicação de medida de segurança ao acusado faço lembrar o imorredouro caso de GILDÁSIO MARQUES DE SOUZA, que ao ser absolvido da prática de lesões corporais simples, por sentença datada de 24/10/67, recebeu medida de segurança e terminou por ficar encarcerado em presídios e em manicômios por mais de 36 anos, destituído de dignidade, cidadania e de relações sociais. Dois anos antes de Gildásio ser colocado em liberdade, um laudo foi juntado aos autos da execução da medida de segurança confirmando a "cessação da periculosidade" de Gildásio. Mesmo assim, Gildásio permaneceu enclausurado no Presídio Feminino de Brasília, Capital da República, até que os autos chegaram ao signatário da presente sentença que, indignado com a ignomínia e tomado por opróbrio com tanto descaso e humilhação, cumpriu o dever de extinguir aquela reprimenda vergonhosa de duração ilimitada. Foram trinta e seis anos de esquecimento, angústia, desprezo e perversidade contra o autor de um delito que, à luz da legislação vigente na atualidade, não poderia sequer ser recolhido à prisão...Percebe-se, assim, o cuidado que se deve ter em aplicar aos acusados da prática de infrações penais a malfadada medida de segurança. Alguém poderia dizer que ao invés de internação poderia ser aplicada ao acusado a medida de segurança na forma de tratamento ambulatorial. Isso não mudaria em nada a impertinência da proposta. Medida de segurança é sempre medida de segurança: tanto a internação pode, circunstancialmente, se converter em tratamento ambulatorial, quanto esta pode se transformar na primeira. E o mais grave é que não há prazo legal para o término da pena infamante. Não consigo enxergar em quê " - a aplicação de medida de segurança poderá trazer auxílio à família..."Tecidas tais considerações, nada mais resta senão reconhecer o que deveria ter sido admitido ab initio, RODRIGO RAMOS DE LIMA não praticou crime e por isso o tenho por absolvido. Por fim, faço votos de que não surja um "iluminado" com a "estupenda" idéia de, através de recurso, prorrogar a presente discussão e sangria de recursos públicos financeiros e humanos. Gastos inúteis não se justificam em parte alguma.Sem custas.Remeta-se cópia da presente sentença ao Procurador-Geral de Justiça do Distrito Federal para ciência.Publique-se no Diário da Justiça. Registre-se. Intimem-se. Após o trânsito em julgado procedam-se as anotações e comunicações de estilo.
Brasília-DF, 03 de novembro de 2008.
Fábio Martins de Lima
Juiz de Direito Substituto
Sexta-feira, 28 de novembro de 2008".