19 de outubro de 2017

Alonso renova com McLaren Renault para temporada de 2018 da Fórmula 1.

Fonte: grandepremio.uol.com.br

Fernando Alonso vai continuar na McLaren na temporada 2018 do Mundial de F1, e sua permanência foi confirmada nesta quinta-feira (19/10).

O fim do casamento da McLaren com a Honda, que era visto como grande empecilho para Alonso ficar, acabou se consolidando, e na esteira da saída da Honda, a Renault chegou para ser a nova parceira da equipe pelos próximos três anos. Assim, o espanhol, aos 36 anos, reencontra a velha conhecida que o ajudou a alcançar o topo da F1 na década passada, quando conquistou o título mundial em 2005 e 2006. 

O anúncio foi feito de forma curiosa, com a McLaren fazendo brincadeiras em sua conta no Twitter, com diferentes postagens que indicavam que a confirmação estava por vir. No fim, na última das postagens, com direito a cutucada na Honda, Alonso aparece dizendo: "nos vemos no próximo ano".

"É fantástico continuar meu relacionamento com a McLaren", afirmou Alonso, confirmando a renovação. "Meu coração sempre me disse para ficar onde estava, eu me sinto em casa aqui. É uma equipe fantástica, cheia de pessoas incríveis e que tem um ambiente de amizade e companheirismo que eu nunca tinha visto na F1. Estou incrivelmente feliz por seguir aqui. A McLaren tem os recursos técnicos e financeiros para conseguir rapidamente voltar a vencer corridas e títulos. Tudo bem, os últimos anos não foram fáceis, mas ninguém esquece como se faz para ganhar, acredito que podemos voltar ao topo em breve", seguiu

"Os últimos três anos serviram para que a gente planejasse e construísse o futuro, então estou bem ansioso para embarcar nessa jornada. Estou animado para o que temos pela frente e já tenho trabalhado duro para que o novo ciclo seja de sucesso", encerrou.

A cúpula da equipe também fica feliz com o anúncio. "Estou muito feliz por poder confirmar que o Fernando vai seguir conosco. Ele tem sido um cara fantástico para o time nos últimos três anos, é um talento incrível e tem sido um dos pilotos mais aplicados dos últimos tempos. Sempre nos fez sentido manter a relação", disse o chefe de equipe Zak Brown. "Com o Fernando, você realmente não tem como pedir algum piloto melhor. Ele é o cara ideal para te trazer o resultado na tarde de domingo. Ele sempre me deixou claro que ama esta equipe e que queria ficar. O anúncio de hoje prova que ele está totalmente focado e com a meta de ser um dos grandes da McLaren, deixando para trás suas frustrações dos últimos anos", completou o diretor técnico Éric Boullier.

Alonso jamais escondeu o sonho de lutar novamente por vitórias e por títulos. No entanto, desde que deixou a Ferrari, em 2014, o espanhol falhou na sua tentativa de voltar a ser protagonista da F1. Não por sua culpa, em partes, uma vez que o projeto do motor Honda definitivamente não deu frutos desde quando começou seu novo caminho no esporte, em 2015. Só agora, depois de quase três anos e com o fim da parceria sacramentada, é que a unidade de potência começa a mostrar algum potencial. Sorte? Talvez da Toro Rosso, que vai receber os motores nipônicos a partir do ano que vem.
 
Se há alguma culpa de Alonso por toda a sua seca de vitórias e títulos, ela diz mais respeito às suas decisões, ainda que o piloto negue qualquer arrependimento: "Não tenho bola de cristal", disse recentemente em vídeo ao vivo com os fãs em sua conta no Instagram. Na contramão de Lewis Hamilton, que acertou em cheio ao deixar a McLaren em 2012 para assumir um projeto que mostrou-se pra lá de vitorioso e campeão na Mercedes, Fernando trilhou o caminho errado desde sua primeira passagem na McLaren, em 2007, quando deixou o time.

Desde então, a carreira de Alonso degringolou, e o bicampeão perdeu as chances de ser ainda maior na F1. É bem verdade que, após dois anos com a Renault, em 2008 e 2009, o espanhol abriu passagem para uma união que parecia ser vencedora na Ferrari, seu velho desejo, para onde foi a partir de 2010.
 
Naquele mesmo ano, por exemplo, Alonso chegou muito perto do título, foi para a última corrida do ano como líder do campeonato, mas foi vítima da estratégia errada da Ferrari e também falhou ao não conseguir passar Vitaly Petrov no GP de Abu Dhabi, vendo o sonho do tri cair por terra com o título alcançado por Sebastian Vettel, o primeiro de quatro, naquela noite no Oriente Médio. 

Em 2012, Alonso e Vettel voltaram a brigar pelo título, mas o alemão, com um carro muito melhor, conseguiu empreender grande virada no segundo semestre e faturou a taça.
 
A última grande glória de Alonso na F1 já tem mais de quatro anos. Foi em 12 de maio de 2013, quando o asturiano venceu pela última vez no Mundial. Depois disso, foram poucas alegrias para o piloto, que viu Vettel chegar ao tetracampeonato e, no ano seguinte, acompanhou de longe a ascensão da Mercedes como a melhor equipe do grid e a consolidação do seu outrora grande rival como um dos melhores de todos os tempos em razão dos seus números pra lá de relevantes. Alonso, por conta das decisões que se mostraram erradas, estacionou.

Alonso então voltou à McLaren, aquela altura com motores Honda, sendo o grande símbolo da marca japonesa, que voltava à F1 disposta a retomar o caminho das vitórias. Mas foram tantas as dificuldades que a Honda, dona de um passado tão incrível no esporte, virou motivo de chacota pelas inúmeras quebras e falta de performance. Alonso, que recebeu da Honda grande parte do seu polpudo salário, perdeu a cabeça e as estribeiras várias vezes, chegando a disparar contra o ‘motor de GP2’ da Honda na casa dela, em Suzuka, em 2015.
 
Desde sua volta à McLaren, Alonso teve como melhor resultado três quintos lugares, nos GPs da Hungria de 2015 e da Espanha e Estados Unidos, no ano passado. Mas foi uma jornada marcada por muito dinheiro, muitas reclamações e raras alegrias. Talvez, seu maior motivo de sorriso nos últimos tempos foi justamente a inacreditável participação nas 500 Milhas de Indianápolis, onde novamente pode se sentir competitivo e lutar pela vitória, o que há tempos não acontece na F1. 
 
Quando voltou ao grid depois de sua participação esporádica na Indy, Alonso só teve alguma razão para comemorar depois que viu seus desejos serem atendidos com a saída da Honda e a chegada da Renault. Fernando tanto fez que acabou tendo a chance de voltar a defender, ainda que não como equipe, a marca que o levou à primeira pole, à primeira vitória, às suas primeiras e maiores glórias no esporte até então.
 
Agora, com a permanência na McLaren assegurada e a reedição da parceria do piloto com a Renault, Alonso começa a trabalhar com um motivo que há tempos estava adormecido: voltar a ser protagonista e a brigar por títulos e vitórias no Mundial de F1. 

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